Na aula anterior, eles haviam precavido a todos para que trouxessem na aula prática uma roupa de cama e demais acessórios (manta, travesseiro, roupas leves, etc...). Eu faltei nesta aula.
Apesar do esforço (validíssimo, por sinal) por parte da professora Miryan em me ligar e passar as recomendações por telefone durante a semana, acabei não levando-as muito a sério. No dia da prática, considerei apenas aparecer de roupas leves. Um mico.
A sala era outra. O ambiente, frio. Espalhados pelo chão estavam colchonetes azuis para o mesmo número de alunos.
Vergonha no início. De um lado estavam as camas cuidadosamente montadas das alunas, e do outro estava eu, apenas com a roupa (leve) do corpo e o desejo de projetar-me. Arrumei apenas um lenço de papel (mico!) para escorar a cabeça (colchonete com marca de gordura de cabeça ninguém merece ganhar) e considerei-me pronto para a aventura.
Neste dia eu entendi o significado da frase "ambiente preparado extrafisicamente", pois foi graças a esta preparação que eu pude observar as fases (iniciais) de uma projeção da consciência.
Até então, eu havia aprendido sobre os estados de consciência conhecidos como vigília física anterior (ordinária), sobre os estados alterados de consciência e sobre a vigília física posterior. Havia aprendido sobre os "gaps" existentes entre o estado de relaxação e a experiência projetiva. "Gaps" são momentos de blackout consciencial, no qual não lembramos de coisa alguma, experiência muito comum nas projeções lúcidas.
Na verdade, o "gap" está presente em 90% das experiências fora do corpo, mas há projeções na qual o experimentador acompanha todo o momento de sua "decolagem". Ele rememora cada uma das fases, desde o estado de relaxação, passando pela experiência projetiva até o posterior retorno ao corpo físico. Todo esse processo é rememorado mais tarde pelo projetor.
Agora, voltando à minha experiência pessoal, acredito que a sala em que estive estava preparada para "facilitar" este processo. Acredito nisso baseando-me (com muito orgulho) no Princípio da Descrença, porque devo dizer que lembrei-me da relaxação, lembrei-me do desconforto por causa do frio nos membros e lembrei-me da chateação que seria não haver experiência alguma. A mesma chateação de ter que esperar em uma mesma posição (decúbito dorsal) pelo fim da prática. O frio, apesar de desagradável, não era insuportável. E acredito que ele deva ter contribuído positivamente para a experiência. Lembrei-me que, por um brevíssimo momento eu tive um sonho (ou devaneio). Este sonho perdeu toda a importância diante do que veio a seguir.
Já adianto que não foi uma experiência projetiva. Foi algo mais para "pré-projetivo" mas cujas sensações são de suma importância no meu aprendizado. Em termos parapsíquicos, isso foi o que de mais sensacional aconteceu comigo.
Eu vivenciei, pela primeira vez conscientemente, uma experiência de REM.
REM vem da expressão inglesa "Rapid Eyes Movement" e caracteriza a fase do sono em que estamos no estado alfa, ou ainda, no momento mais profundo dele. Neste momento, ou estamos sonhando ou totalmente apagados (o momento do "gap", por assim dizer) mas nunca conscientes, nunca observando!
Neste dia eu fiquei consciente e pude sentir (com os olhos fechados, naturalmente) meus globos oculares revirarem com rapidez nas suas órbitas e ao mesmo tempo, senti... lá vem... "a minha consciência levitar e ganhar altura". Eu nada vi. Mas senti tudo isso. E quando percebi que volitava, que aquilo era "pra valer", imediatamente meu coração disparou. De modo que tive de dizer a mim mesmo, "calma Cilo" (agora eu pergunto: será que fui eu mesmo que disse isso?). À medida que meu coração voltou ao normal, eu parei de sentir o REM e vi que "estava de volta".
Treinamos ao fim desta aula a rememoração desses eventos e depois anotamos tudo. Neste curso CIP eu era conhecido por ser a "pedra" da classe, por não sentir nada. Algo que definitivamente mudou a partir deste dia.